Quando me Perdi de Mim



Olhei o relógio, já era seis da tarde. Você me mandou uma mensagem daquelas que faz a gente refletir, gostei de você primeiro por causa disso, cheguei em casa e tomei um banho, assisti um pouco de televisão e depois tentei dormir, mas não deu. Aquela mensagem me torturou por horas até que eu dormir. Levantei e me olhei no espelho e a única coisa que me veio a cabeça foi a pequena frase: eu me perdi de mim.

Sabe aquela sensação de se perder dos pais e não consegue acha-los? Pois bem, a minha sensação foi pior, pois, me perdi dentro de um lugar que eu não poderia sair e a única coisa que eu podia fazer era tentar me resgatar.

Me perdi em padrões que tentei seguir, mudei para fazer amigos, algumas só foram toxicas, minhas poesias já não eram verdadeiras. Eu já não era verdadeiro, em meio a tantas informações, rótulos, padrões, pessoas, ideologias, loucuras e tantas outras coisas chegando como tempestade.

Hoje sinto falta do meu eu passado, que apenas tentava se encontrar e quando ele encontrou um padrão eu não consegui me adequar. Sinto muito, sociedade, mas eu não consigo me sentir bem no seu padrão, um processo invalido que machuca e mata sonhos.


Entre tentar me encontrar e agradar os outros, eu me perdi. Entre palavras ditas e outras engolidas, eu me perdi. Eu me perdi, pois, me deixei acreditar que existia um limite e que eu precisava decidir meu futuro aos 17 anos.

Não, não é preciso.

Acreditei em uma mentira que aos 17 eu precisava está certo de tudo e que aos 25 eu precisava ter um relacionamento bom com o amor da minha vida e ser bem-sucedido. Nada disso precisa ser aos vinte e cinco. No decorrer do tempo a gente percebe que nada disso é verdade e que, na verdade, ninguém sabe de nada.

Precisei de você para perceber que eu me perdi, mas foi olhando para o espelho que eu vi o garoto que transborda amor. O garoto que alguns chamam de poeta, outros de anjo, muitos por apenas Rodrigo, um nome que significa o que sou.

Estou me encontrando.

Respeitando o tempo, transbordando amor e seguindo a vida sem tentar entrar em um padrão que eu jamais vou ser, porque no fim o que importa é o amor-próprio.

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