Resenha do Livro Volto Quando Puder



Volto Quando Puder é um livro nacional escrito por Isa Prospero e Márcia Oliveira e que falar sobre amor, adolescência, autoconhecimento e descoberta.
O livro conta a história de Artur, um garoto de 14 anos que perde sua mãe e tem que mudar para a casa de seu pai, um tatuador que não tem estabilidade financeira e que sua renda se altera todo mês. Guilherme tem um estúdio de tatuagem e vive de sua arte, normalmente passa por vários perrengues com sua assistente Penélope, mas agora ele precisa aprender a viver com o filho e tentar decifrar a mente de um adolescente, já que eles não moravam juntos antes de a mãe dele morrer. Agora todas as responsabilidades de um pai desaba nas costas de Guilherme.
Enquanto isso, Artur sofre bullying na escola, seus colegas fazem bullying por simplesmente quererem, qualquer coisa que Artur faça, eles arrumam um jeito de zoar da cara dele, mas na escola ele gosta de duas pessoas, Alexandre (seu professor de português) e Priscila (uma garota da turma).
Além disso, Artur tem que descobrir por qual motivo seu pai tem mudado tanto a rotina, ele não tinha Facebook e agora tem, recebe ligações misteriosas e resolveu ser um pouco mais organizado, isso incomoda tanto Artur que faz ele criar tantas teorias, mas no fim, nenhuma delas é a certa.
O livro segue a história desse garoto em várias situações diárias, o livro é separado por dias, então reforça mais ainda a ideia de um retrato do cotiano de Artur. Inclusive, o protagonista é um dos personagens mais irritantes que já li, mas ele só 14 anos. Todos somos chatos aos 14.
Quando eu vi esse livro na prateleira, pensei que fosse um livro forçando a representatividade LGBT, mas foi totalmente ao contrário, pois, a editora do livro é Hoo, especializada em livros com essa temática, porém, quando eu li a sinopse não tava falando nada sobre os personagens LGBT's do livro, não sabia do que se tratava, se era uma transsexual ou um bissexual. Achei interessante esse fato de que não foi colocado na sinopse a orientação dos personagens, foi tratado como algo normal e é o que sempre deve ser feito.
As autoras tiveram o cuidado incrível de construir esses personagens, fiquei muito emocionado em várias partes do livro, pois, dá pra perceber que aqueles personagens estavam ali desde o começo, não foram colocados ali pra chamar atenção dos consumidores. Preciso muito agradecer por essas duas escritoras terem feito isso.
É bonito ler a evolução de Artur, ele vai passando por muitos processos e nada aparece de uma folha para outra, o processo do Artur é contínuo, é como o nosso. Artur vai percebendo que as coisas precisam de tempo, que nada cai do céu, que amor nasce, mas que existem várias formar de amar, e claro, ele entende que o mundo nem sempre vai acorda ao nosso favor, mas nós precisamos fazer ele ser a nosso favor.

Um livro lindo, bem escrito, leve e que ganha um lugarzinho na minha lista dos livros favoritos, amei o livro e seria meu sonho se tivesse uma continuação, imagina um livro solo sobre o pai dele? Sonhar é de graça, né (risos).
Tantas reflexões esse livro me trouxe que eu nem consigo resumir em um parágrafo, mas é aqui que eu sempre deixo uma frase bonita sobre o livro, dessa vez eu só consigo pensar em quantas pessoas estão por aí aprendendo a amar e respeitar todas as formas de amor, eu espero muito que esses adolescentes sejam menos cruéis com a diversidade, que eles possam saber que existe um mundo incrível lá fora e que saibam que como o Artur do livro, eles podem aprender a amar e a respeitar.

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